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Érica, 3 anos, depende de transplante de medula

Publicado em 10-07-2010

Ainda no primeiro ano de vida, Érica Mariana Viana dos Santos descobriu que sofria de leucemia, câncer que afeta os glóbulos brancos do sangue, responsáveis pela defesa do corpo. Assim como centenas de crianças no Estado, Érica, que hoje tem apenas três anos, luta para viver à espera de um doador de medula óssea compatível. Segundo informações do Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (Nacc), 40% dos 4.500 pacientes cadastrados na instituição buscam a cura da doença.

Érica morava com os pais em Barcelona, na Espanha, quando apresentou os primeiros sintomas. Atendida por médicos da cidade, ela começou o tratamento que durou quase dois anos. Em dezembro do ano passado, a cura da menina foi anunciada e a família retornou ao Recife. No entanto, os exames preventivos realizados no Hospital Oswaldo Cruz (HOC), área central, no início do ano, mostraram que o câncer havia ganhado força novamente.

Há uma semana, Érica está internada na enfermaria do HOC em estado grave. Não há leito disponível para ela na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade. “Ela tem leucemia linfóide aguda. Precisa de tratamento urgente e tudo está muito devagar. Ela não pode receber a medula dos pais, e para o irmão, filho apenas do pai, realizar o exame de compatibilidade, é preciso de uma autorização que ainda não foi dada. Eu tento agilizar as coisas, mas elas não acontecem. A burocracia está diminuindo o tempo de vida da minha neta”, lamentou a avó Maria Jacinta do Nascimento, 50.

A única chance para Érica é o transplante. De janeiro a abril deste ano, foram realizados 34 cirurgias em Pernambuco. Ainda existem 52 pessoas na lista de espera. Os 1,4 milhão de voluntários de medula óssea cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), banco virtual criado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), não são suficientes para atender à demanda de transplantes.

A medula é um tecido e funciona como uma fábrica do sangue que produz plaquetas e glóbulos brancos e vermelhos. De acordo com o Inca, as chances para encontrar uma medula compatível é de uma para cada cem mil habitantes no Brasil. O ideal de uma compatibilidade genética entre doador e receptor é que seja de 100%. “Com muita força de vontade, Érica, mesmo com o cabelo caindo, me diz que já está curada e quer voltar para casa. Estamos providenciando a transferência dela para São Paulo. A família está lutando de todas as formas para salvá-la”, contou avó da menina.

Para se candidatar à doação, é necessário ter entre 18 e 55 anos e ir à Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope). Lá, serão coletados 5 ml do sangue do voluntário, que também preenche uma ficha.

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