Atitude Cidada

educação

Em Camaragibe, meninos de escolas públicas aprendem a tocar violino

Publicado em 29-03-2010

Por Priscila Muniz do JC Online

O sonho da diretora de uma escola particular em Aldeia está fazendo com que crianças e jovens da comunidade de Vera Cruz, em Camaragibe, descubram o universo da música. Já há algum tempo que Lígia Frayer deseja criar uma orquestra de violinos. A vontade remete aos tempos de criança, quando sua mãe lhe comprou o instrumento para que ela se tornasse uma violinista.

“Com o tempo eu acabei me desinteressando, e o violino ficou parado por quarenta anos”, conta Lígia. “Recentemente eu decidi doá-lo, mas depois, vendo exemplos de orquestras por aí e percebendo a necessidade de nossa comunidade em ter um projeto que envolvesse as crianças e jovens, resolvi começar a promover as aulas de violino”, acrescenta a diretora.

O primeiro passo de Lígia foi buscar ajuda junto aos colegas do Rotary Clube, que possui representação em todo o mundo. Um grupo de americanos doou os primeiros instrumentos, há quatro anos, e, em seguida, Lígia começou a recrutar alunos nas escolas públicas próximas á escola particular que ela dirige. Finalmente, ela entrou em contato com o maestro Romildo, para que ele desse aulas para os meninos. O salário do professor sai do próprio bolso de Lígia.

Para o maestro Romildo, passa seu conhecimento para criança e jovens carentes é algo gratificante. “Você tem que doar alguma coisa para alguém, senão você não é nada”, fala.

Inicialmente, as aulas aconteciam na escola particular da qual Lígia é diretora, mas para aumentar a frequencia dos alunos, elas foram transferidas para dentro da comunidade de Vera cruz, numa creche de propriedade do Rotary Clube.  Além das aulas de violino, oe meninos também aprendem violão e flauta. As aulas acontecem duas vezes por semana, e nos outros dias os alunos podem ir até o local para praticar o instrumento.

Érica Nunes, de 17 anos, começou a ter aulas de violino há dois anos, e seu sonho é tocar numa orquestra. “Até então eu não conhecia o violino, nem tinha ouvido falar. Aí eu comecei a ter aulas, gostei e continuei”, diz a menina.

Uma grande dificuldade do projeto é a pequena quantidade de instrumentos para o grande volume de alunos interessados. Hoje, são 12 violinos, oito violões e  30 flautas, todos provenientes de doações. Quem tiver um instrumento que não usa em casa pode doá-lo ao projeto. Lígia também procura uma empresa interessada em fornecer lanches para os meninos no horário das aulas. Quem quiser ajudar deve entrar em contato através do telefone (81) 3459-1272.

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