esporte
Uma aula de cidadania e futebol
Publicado em 10-01-2010
Há nove anos, um auxiliar administrativo teve uma simples ideia que até hoje faz muita diferença. Desde dezembro de 2000, no Campo do Café, no bairro da Linha do Tiro, na Zona Norte do Recife, jovens de 9 a 25 anos têm aulas de futebol. O gesto surgiu como uma forma de ocupar o tempo ocioso das crianças e adolescentes, impedindo que eles caiam no mundo das drogas e do crime. Atualmente, além da criminalidade, eles enfrentam do jeito que podem a falta de material adequado e estrutura para seguir em frente.
Amaro Antônio Gomes de Araújo, 25 anos, fundou a Escolinha Internacional Linha do Tiro, em homenagem ao time gaúcho Internacional. Atualmente, cerca de 40 jovens são treinados nas segundas e quartas-feiras pela manhã. Para participar é preciso estar estudando e com notas boas. “Como conheço as escolas da região, acompanho tudo, sei das notas, das frequências”, afirmou o auxiliar administrativo, que antes de fundar o grupo participou do Programa Escola Aberta e é quem sustenta os gastos com os meninos. A escolinha não tem apoio de ninguém. Todo o dinheiro investido no treino sai dos bolsos dele. Ele tem a ajuda do presidente do conselho de moradores do Alto José Bonifácio, Almir Fernando.
Os coletes amarelos estão rasgados. As chuteiras, muitas delas improvisadas, estão furadas. Mas nada disso atrapalha a motivação dos meninos. Em dias de jogos, os jovens vão de bicicleta. “Todo esforço é válido”, disse Antônio. Para Bruno Felipe Souza Alves, 16, e que está há cinco no time, nada melhor do que participar do grupo. “Passava o meu tempo em casa ou dando trabalho pelas ruas daqui. Conheci a escolinha pelo Escola Aberta”, declarou. Um dos desejos dele é o de adquirir uniformes e bolas novas, pois a única que eles possuem está muito gasta.
O sonho de Cláudio Júnior, 11 anos, é ser jogador de futebol quando crescer. Ele está há dois anos no time e nem se incomoda com o sol forte durante as aulas. “Eu sempre gostei de jogar futebol, só que antes era na rua, sem compromisso nenhum”, afirmou. O portuário Fernando Domingos da Costa, 54, morador da localidade, aprova a iniciativa. “Gosto de ver Antônio fazendo este trabalho com as crianças. Tira os jovens do perigo das drogas e do crime, apesar do sacrifício para manter funcionando. Dá para perceber a dedicação. Ele puxa os meninos, ensina. Os garotos são bastante educados, disciplinados”, disse.
No próprio bairro, ninguém dá incentivos. Por isso, Antônio busca ajuda para melhorar o trabalho de tantos anos. Quem quiser ajudar e conhecer a Escolinha Internacional Linha do Tiro pode entrar em contato com ele pelo telefone 8604-5510.
ESFORÇO Grupo pede apoio
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
