Atitude Cidada

esporte

Com o pé na bola e o olho no futuro

Publicado em 04-01-2010

Um gesto simples modificou a rotina de dezenas de crianças e adolescentes da comunidade Entra Apulso, Zona Sul do Recife. Um grupo de moradores foi de casa em casa pedir autorização das famílias para levar os filhos a um campo de futebol. Era o início da escolinha Ajax, que começou em 2005 e sobrevive sem recursos.

Oferecer a oportunidade de uma vida longe das drogas e do crime ganhou força na boa vontade de Jenildon Marques, marceneiro e um dos idealizadores do time. "Sou pai de família e não quero nenhum desses meninos em presídios ou mortos." A ideia veio de um time adulto organizado há 12 anos na comunidade. "Como a experiência estava dando certo, pensamos nas crianças", disse Alexandre Raimundo da Silva, auxiliar administrativo e também organizador do projeto.

Em 2005, Alexandre convidou Marcelo Silva para ser o treinador. "Como já trabalho em um grupo de escoteiro infantil, aceitei com muito prazer o convite", contou Marcelo. Crianças de 5 a 10 anos e adolescentes de 11 a 17 podem fazer parte do grupo. Atualmente, 40 meninos integram a escolinha que já participou de campeonatos no interior e de torneios municipais. "Nos treinos, eles aprendem a ter disciplina. Quando as brigas começam, apaziguamos. Eles aprendem com a gente", explicou Alexandre.

"Estudo pela manhã e treino à tarde. Se eu não tivesse a escolinha, não teria nada o que fazer e estaria fazendo coisa errada. Gosto de jogar bola, sou o goleiro do time", disse o pequeno Luís Felipe Rodrigues, 11 anos. A alegria é abatida pelas dificuldades. Faltam coletes, bermudas, meias, bolas, sapatos e até o campo de futebol. "Usamos o campo emprestado do Residencial Boa Viagem, perto da nossa comunidade", disse Marcelo. Cleiton Flávio Silva, 9, joga sem o padrão do time. "Não tenho colete, além disso, temos que esperar os meninos do prédio sair do campo. Nem sempre a gente pode jogar."

AJUDA

O Instituto Shopping Recife, que promove inclusão social de crianças, jovens e adultos da comunidade, doou alguns uniformes, mas a carência ainda é muita. "É um apoio, só que não é o suficiente. Não temos como viajar para jogar em outra cidade, por exemplo", lamentou o treinador. Além de estimular o jogo, Jenildon Marques cede aos adolescentes um pequeno espaço para a produção de mesas e bancos, e ensina como criar as peças. "É mais uma opção para eles. E, quem sabe, uma futura profissão", disse. Quem puder colaborar pode telefonar para: 8857-0832 ou procurar Jenildon na Rua Bruno Veloso, 65 - Boa Viagem.

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