BEM-VINDO
Nem todos se apercebem disso, mas o povo brasileiro é um povo solidário. Apesar das nossas disparidades, apesar das desigualdades sociais que ainda marcam a sociedade brasileira, penalizada por um Estado que nega à grande maioria do seu povo educação, saúde, segurança e outros serviços básicos tão comuns em nações civilizadas, o nosso povo é essencialmente bom.
Há algum tempo, nos veículos que compõem o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, vem sendo divulgadas ações de solidariedade que são consideradas "atitudes cidadãs" - muitas delas levadas a cabo por pessoas simples da comunidade, que têm apenas duas mãos e a vontade de servir.
Quem acompanhou de perto as inúmeras reportagens publicadas no Jornal do Commercio, exibidas na TV Jornal, divulgadas no sistema de Rádio e no JC On Line, se assevera desta salutar realidade. São exemplos de desprendimento, de amor ao próximo, de crença na fraternidade, de como se pode exercer a cidadania e imaginar a construção de um país mais justo.
Muitas vezes, me pergunto se o empresariado brasileiro - com honrosas exceções - não poderia ser mais solidário na construção deste futuro que todos almejamos. Se não poderia ser mais pro-ativo no patrocínio de ações que ajudassem a melhorar o nível geral do ensino, a formar uma mão-de-obra mais qualificada, a incentivar jovens talentos que, muitas vezes, por falta de oportunidade, não têm condições de desenvolver todo o seu potencial.
Comove-me, por exemplo, saber que na Favela do Bode, sob uma palafita, pelo esforço de um jovem chamado Ricardo Gomes, existe hoje uma biblioteca à disposição da comunidade, instalada ali à revelia do poder público. Esse feito notável foi divulgado pelo Jornal do Commercio e repercutido nacionalmente, sensibilizando o próprio Ministério da Educação. Vejo exemplo parecido lá no meu chão natal, no interior de Sergipe, onde nasceram e se formaram um grupo de balé clássico, uma orquestra filarmônica e um coral, que hoje se apresentam com êxito no Estado e fora dele. Eram jovens humildes, quase desamparados, sem maiores perspectivas de êxito profissional. Nos dois casos, as iniciativas não tiveram apoio oficial, não receberam um só centavo do poder público.
Afinal, num país com as nossas dimensões e o cardápio de problemas que enfrenta, não se pode esperar que o Governo sozinho possa dar conta de tantos desafios. Bem, estão aí, para apreciação de todos, muitas "Atitudes Cidadãs" que comovem e gratificam e que, espero, possam servir de exemplo para que outras pessoas e outras instituições possam percorrer esse mesmo caminho
João Carlos Paes Mendonça
Presidente do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação